Dia Mundial do Meio Ambiente: negócios comunitários ajudam a conservar 5,5 milhões de hectares e movimentam mais de R$160 milhões na sociobioeconomia

Voltar para Notícias

Levantamento da Conexsus mostra que 87 negócios comunitários atuam em quatro biomas brasileiros, reunindo mais de 15 mil pessoas e gerando renda a partir da conservação de florestas, territórios tradicionais e recursos naturais

 

 

No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, dados do Instituto Conexões Sustentáveis – Conexsus reforçam o papel estratégico da sociobioeconomia para a conservação dos biomas brasileiros e para a geração de renda em territórios rurais e florestais. Em 2025, 87 negócios comunitários acompanhados pela organização atuavam em quatro biomas do país e estavam diretamente relacionados à conservação de aproximadamente 5,5 milhões de hectares de áreas naturais, extensão equivalente a mais de três vezes o território do estado do Rio de Janeiro.

Os negócios monitorados pela Conexsus reúnem 15.379 associados, entre agricultores familiares, extrativistas, povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e outras comunidades tradicionais. A maior parte deles está localizada na Amazônia, que concentra 78% dos negócios comunitários acompanhados pela organização e 94% da área diretamente impactada pelas atividades desenvolvidas nos territórios.

A sociobioeconomia tem ganhado relevância nas discussões sobre desenvolvimento sustentável por associar conservação ambiental, geração de renda e valorização dos conhecimentos tradicionais. Na prática, trata-se de atividades produtivas baseadas no uso sustentável da biodiversidade, permitindo que comunidades mantenham a floresta em pé enquanto produzem alimentos, insumos e matérias-primas para diferentes mercados.

Os resultados econômicos demonstram a dimensão desse modelo. Em 2024, os negócios comunitários monitorados pela Conexsus registraram faturamento bruto de R$ 167,8 milhões. Os produtos comercializados incluem itens como açaí, castanha-do-brasil, cacau, mandioca, frutas, polpas, sementes, borracha e óleos vegetais, produtos que dependem diretamente da manutenção dos ecossistemas e dos modos de vida tradicionais.

Ao todo, 73 negócios comunitários comercializaram mais de 17,3 mil toneladas de produção, enquanto 76 negócios geraram R$ 136,5 milhões apenas com os dez produtos de maior receita. A Amazônia concentra a maior parte desse volume e da renda gerada, com destaque para cadeias produtivas como cacau, açaí e castanha-do-brasil.

Para a Conexsus, os dados evidenciam que a proteção ambiental e o desenvolvimento econômico não são objetivos incompatíveis. Pelo contrário: o fortalecimento dos negócios comunitários demonstra que a conservação dos biomas brasileiros pode estar diretamente associada à geração de trabalho, renda e oportunidades para milhares de famílias que vivem e cuidam desses territórios.

“A sociobioeconomia não é uma realidade secundária, mas sim uma potência real para a geração de renda e conservação da biodiversidade na Amazônia, Cerrado, Caatinga e nos demais biomas brasileiros. Fomentar os negócios formados e liderados por comunidades é a única maneira de fundamentá-la de maneira que a promoção de seus produtos e de suas cadeias de valor gerem oportunidades econômicas efetivas para populações que, há tanto tempo, atuam de maneira decisiva na conservação e valorização dos nossos biomas”, destaca Pedro Frizo, diretor de programas e inovação financeira da Conexsus.

Os dados também mostram a diversidade dos territórios envolvidos. Além da Amazônia, os negócios comunitários monitorados pela organização estão presentes no Cerrado, na Caatinga e na Mata Atlântica, contribuindo para a conservação de diferentes ecossistemas brasileiros e para a ampliação de mercados sustentáveis ligados à sociobioeconomia.

À medida que o Brasil amplia seu protagonismo nas discussões globais sobre clima, biodiversidade e desenvolvimento sustentável, iniciativas baseadas na sociobioeconomia ganham destaque como exemplos concretos de soluções capazes de combinar conservação ambiental, redução das desigualdades e fortalecimento das economias locais.

SOBRE A CONEXSUS

O Instituto Conexões Sustentáveis – Conexsus atua na promoção da conexão dos negócios comunitários com mercados, disponibilizando acesso a investimentos financeiros customizados para apoiar a estruturação de arranjos comerciais e viabilizar operações sustentáveis.