Conexsus

Cadeias estruturantes e união de iniciativas é destaque em oficina no norte do Pará

Cooperativas, associações de produtores e parceiros trocaram experiências e refletiram sobre os desafios relacionados a modelo de negócio, mercado e finanças em Alter do Chão

Organizações se reúnem para oficina em Santarém. Fotos: Aloyana Lemos

O norte do Pará recebeu, em Alter do Chão, distrito de Santarém, a Oficina de Negócios Comunitários Sustentáveis do Desafio Conexsus nos dias 4 e 5 de setembro, no Beloalter Hotel. O Desafio é realizado pela Conexsus – Instituto Conexões Sustentáveis, que visa promover o ecossistema de negócios sustentáveis no Brasil, com a reunião de diversos parceiros e atores dispostos a contribuir para o desenvolvimento de cooperativas e associações de produtores que atuam em cadeias produtivas de alimentação saudável e sustentável; agrofloresta sustentável, extrativismo e sociobiodiversidade; pesca artesanal; manejo florestal comunitário; turismo de base comunitária, entre outras.

Participaram da oficina 23 organizações que atuam com extrativismo, produção de agricultura familiar, agrofloresta sustentável, manejo florestal comunitário e artesanato. A produção envolve extração e beneficiamento de castanhas, frutas e polpas, óleos, produção de cosméticos, produção de alimentos, entre outros. “É importante destacar a qualidade e a representatividade das organizações e grupos sociais que estão participando, que mostram a grande diversidade da Amazônia, o que reforça os valores que nos unem: o compromisso com o desenvolvimento social das pessoas, com a preservação ambiental e com a troca das pessoas”, diz João Luiz Guadagnin, consultor da Conexsus.

Segundo Guadagnin, isso é parte da proposta da Conexsus, de que se formem redes e se partilhe conhecimento, objetivo que vem sendo alcançado nos encontros. “Pessoas que moram no mesmo estado, que têm tradições e culturas parecidas, e às vezes trabalham com os mesmos produtos, mas ainda não se conheciam, estão se conectando agora. Essa interação é muito rica e oportuniza aprendizado, não só a eles, mas a nós também, que saímos com informações valiosas para poder contribuir mais nesse processo”, avalia. Ele também destaca o cooperativismo e o clima de entre-ajuda dos participantes, vindos, em sua maioria, de organizações com anos de história e compromisso com o meio ambiente e o desenvolvimento local de forma sustentável.

O consultor João Luiz Guadagnin fala durante a oficina em Santarém. Fotos: Aloyana Lemos

O assessor técnico da Agência Alemã de Cooperação Internacional GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit), Andre Machado, que atua no projeto Mercados Verdes e Consumo Sustentável, destaca também a importância de reunir os diversos atores destes empreendimentos comunitários para debater, de forma organizada, desafios oportunidades para desenvolver o ecossistema de negócios sustentáveis. “É riquíssimo poder ouvir as pessoas que vivenciam esse mercado, são subsídios para guiarmos nossa forma de atuação. Além disso, é uma oportunidade de fazer conexões com organizações de apoio, com quem opera essas cadeias, órgãos governamentais, entre outros envolvidos, que é objetivo da Conexsus”, comenta.

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), parceiro cocriador do Desafio, esteve representado pelo coordenador de projetos Léo Eduardo Ferreira, que atua na sede do instituto em Alter do Chão. Léo conta que o Imaflora desenvolve projetos na Calha Norte do rio Amazonas há 12 anos, com foco em ações de geração de renda e apoio a empreendimentos comunitários que representem uma alternativa de renda atraente para as comunidades da floresta, com o objetivo de contribuir para a resiliência do meio ambiente. “Apoiamos parcerias comerciais entre as organizações comunitárias e empresas que valorizem os produtos da sociobiodiversidade e, nos últimos anos estamos discutindo de forma bem intensa com esses povos – como os povos indígenas, quilombolas e assentados – a criação de uma cooperativa geral, que seria o braço comercial de várias associações e comunidades que estão ainda fazendo suas operações de maneira informal”, diz.

Uma destas associações é a ARQMO – Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Oriximiná, que produz óleo de Copaíba. A associação vendia o produto para atravessadores, de forma desordenada, e o Imaflora ajudou a organizar a produção, desenvolver o produto para mercados formais e estruturar um fundo de capital de giro para o negócio. O arranjo é estruturante para outras cadeias do território, como do Cumaru e da Andiroba. Segundo o representante da organização, Aldo Souza Pita, um desafio agora é ampliar o acesso ao mercado para comercializar o produto. “Mas está sendo essencial para nós esse apoio no desenvolvimento do produto, estamos conseguindo investir em outras safras para desenvolver outras cadeias”, complementa.

Estiveram presentes também representantes dos parceiros Central do Cerrado e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM Amazônia.

Apresentação de produtos durante oficina em Santarém. Fotos: Aloyana Lemos

Desafio Conexsus 2018

A Oficina de Negócios Comunitários Sustentáveis faz parte de um ciclo de encontros que teve início em junho, em Belém (PA), e está sendo realizado em mais 12 cidades que reúnem, até setembro, representantes de todas as regiões brasileiras. Além disso, serão realizadas visitas técnicas a algumas organizações para compreender melhor o funcionamento e produção delas. Ambas as atividades devem abranger cerca de 300 participantes do Desafio Conexsus.

Os mais de mil negócios cadastrados na iniciativa, durante os meses de maio e julho, compõem o Mapa e o Panorama de Negócios Comunitários Sustentáveis no Brasil, aberto para consulta online pública pelo site www.desafioconexsus.org. As organizações interessadas em participar do Desafio ainda podem se cadastrar no site para acompanhar oportunidades futuras, bem como integrar a rede nacional de negócios comunitários sustentáveis que está em formação.

Uma das expectativas é que estes empreendimentos, os parceiros cocriadores da iniciativa e outras organizações que compõem esse ecossistema de negócios sustentáveis tornem-se uma rede ativa de fomento ao desenvolvimento sustentável, com a possibilidade de atrair e criar outras oportunidades além das já previstas para o Desafio Conexsus 2018.

Após a realização das oficinas, 70 participantes serão convidados a participar do Ciclo de Desenvolvimento de Negócios Comunitários Sustentáveis, que conta com uma jornada de aceleração, oficinas de modelagem de negócios, laboratório de soluções de acesso à comercialização e mercados, e laboratório de crédito e soluções financeiras.

São parceiros estratégicos da Conexsus: Good Energies FoundationGrupo Pão de Açúcar, por meio do Instituto GPA, IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e Moore Foundation,Fundo Amazônia, Fundo ValeFundação CertiGIZ /Cooperação Alemã para o desenvolvimento sustentávelClimate and Land Use Alliance (CLUA) e União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes).

São parceiros cocriadores do Desafio Conexsus: Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense (APACO), Central da CaatingaCentral do Cerrado, Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Costeiras e Marinhas (Confrem)Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS)Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag)CoomafittEcoa – Ecologia e AçãoEntrenós Planejamento EstratégicoInstituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS)Instituto BioSistêmico (IBS)Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio),Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável (IDESAM), Instituto para o Desenvolvimento Sustentável e Cidadania do Vale do Ribeira (IDESC), Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB)Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)Instituto GaiaInstituto Peabiru, Instituto TerroáInstituto Socioambiental (ISA), IPAM AmazôniaInstituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)Pacto das ÁguasSentinelas da Floresta, SOS Amazônia  e Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ).

Fotos: Aloyana Lemos

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