Em novo estudo, Conexsus mapeia oportunidades do mercado internacional para produtos da sociobiodiversidade

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Em parceria com o P4F e o Programa de Facilitação do Comércio Brasil-Reino Unido, o diagnóstico avaliou a demanda real ou potencial destes produtos junto ao mercado europeu de alimentos e de cosméticos

 

Açaí, óleos vegetais, farinhas, frutas tropicais, cacau e cafés especiais são apenas alguns dos produtos da sociobiodiversidade e da agricultura familiar que estão em alta no mercado internacional. A constatação está no relatório Panorama e Oportunidades do Mercado Internacional para Produtos da Sociobiodiversidade, que apresenta um mapeamento das oportunidades de negócios para produtos da sociobiodiversidade brasileira no mercado europeu.

O estudo, desenvolvido pela Conexsus em parceria com o Partnerships For Forest (P4F) e o Programa de Facilitação do Comércio Brasil-Reino Unido, financiado pelo governo britânico, aponta que os negócios de produtos veganos, agroecológicos, orgânicos e sem glúten estão entre aqueles que devem se beneficiar com as tendências de consumo atuais. 

O foco do diagnóstico foi avaliar a demanda real ou potencial destes produtos junto ao mercado europeu de alimentos e de cosméticos. No que se refere a estes nichos, os produtos da sociobiodiversidade brasileira podem alavancar o mercado de orgânicos e apoiar a transferência de conhecimento e confiança à estruturação das cadeias produtivas sustentáveis.

Produtos da sociobiodiversidade em alta

Devido a crescente preocupação com o desenvolvimento sustentável, os produtos da sociobiodiversidade brasileira têm se tornado cada vez mais requisitados no mercado europeu.

Na área de produção orgânica, por exemplo, o Brasil vem se consolidando como um grande produtor e exportador de alimentos. Só em 2018, o setor de orgânicos brasileiro faturou R$4 bilhões com as vendas no mercado nacional e internacional.

Alguns produtos brasileiros com grande potencial de exportação são:

  • Frutas tropicais como: banana, manga, mamão, abacaxi, goiaba e acerola, tanto convencionais quanto orgânicas.
  • O açaí, sendo os principais países consumidores, além do Brasil, os EUA (40% do açaí exportado), o Japão com 236 toneladas em 2021, e a Austrália com 194 toneladas de 2017 a 2018.
  • O guaraná cujo crescimento de mercado está fortemente ligado aos benefícios para a saúde e às propriedades antioxidantes do fruto.
  • Farinhas alternativas como a farinha de mandioca e a farinha de banana verde.
  • O cacau orgânico para chocolates especiais e o cacau nibs representam um grande potencial de crescimento no mercado internacional, apesar do Brasil não ser o maior exportador mundial.
  • Grãos verdes de café para torrefação tem uma alta procura nos mercados europeus. Para cafés especiais, os compradores prezam pela alta qualidade do produto, nos quais aspectos como: certificação, sustentabilidade e rastreabilidade são essenciais.

Além dos produtos alimentícios, o mercado global de cosméticos naturais e orgânicos teve um crescimento significativo em 2020, sendo avaliado em cerca de 10 bilhões de euros, um aumento de 2,9% em relação a 2019. Dentre os itens com maior poder de exportação estão: os óleos e manteigas para cosméticos, a manteiga de murumuru, o óleo de babaçu, o óleo de buriti e o óleo de pequi.

Desafios das cadeias produtivas

Apesar das boas perspectivas para os produtos das cadeias de valor associadas aos produtos da sociobiodiversidade, esses negócios ainda enfrentam diferentes desafios para efetivar a sua internacionalização, sendo alguns deles:

  • O baixo volume de produtos; 
  • A oferta constante versus a falta de disponibilidade de produtos;
  • Deficiências na logística dos fornecedores;
  • Ausência de serviços de certificações para mercados orgânicos e comércio justo e;
  • A necessidade de implementação de processos claros e eficientes para a rastreabilidade dos produtos.

Para enfrentar esses gargalos é necessário, segundo o estudo, entre outras ações, estabelecer uma ponte entre produtores da sociobiodiversidade e ativadores de negócios, entender a lógica de trabalho do ecossistema internacional, realizar pesquisas de mercado para cadeias consolidadas e apoiar a certificação de commodities de alta demanda. 

O estudo é parte do esforço de projetar e testar soluções que viabilizam as exportações de produtos da sociobiodiversidade brasileira e que promovam a conservação de biomas ameaçados como a Amazônia e o Cerrado (Trilhas para Exportação), e pode ser acessado na íntegra aqui neste link.

Trilhas para Exportação

Com o objetivo de capacitar negócios comunitários, rurais e florestais, para acessarem mercados éticos internacionais, a Conexsus conta desde 2021 com um programa dedicado à destravar os caminhos para a exportação de produtos da sociobiodiversidade brasileira de pequenos e médios negócios de base comunitária, de diferentes níveis de maturidade e de diversas cadeias. 

Em dezembro do mesmo ano, 40 pequenos e médios negócios de base comunitária iniciaram virtualmente mais de 28 horas de capacitação, onde aprenderam sobre preparação, operações e marketing, para aumentar as oportunidades de suas cadeias de valor junto aos mercados internacionais.

Destes, 15 foram selecionados no início de 2022 para uma mentoria individualizada, envolvendo diagnóstico, recomendações e a construção de um plano de ação para a internacionalização da operação dessas organizações.

O Trilhas para Exportação possui apoio do programa Partnerships for Forests e do Programa de Facilitação de Comércio Brasil – Reino Unido, apoiados pelo governo britânico no país e implementados pela consultoria Palladium.