Conexsus

Laboratório fomenta negócios agroflorestais que contribuem com compromissos da agenda climática brasileira

Iniciativa alia inovação aberta, tecnologias produtivas, conservação de florestas e geração de renda para pequenos agricultores

Laboratório foi lançado no dia 18 de dezembro, em São Paulo.

Foi lançado essa semana em São Paulo (SP) o Lab SAF – Laboratório de Negócios Agroflorestais, iniciativa que reúne uma rede de parceiros e de experiências em Sistemas Agroflorestais (SAFs). Realizado pela Conexsus – Instituto Conexões Sustentáveis, em parceria com Fundo Vale, Kaeté Investimentos e Fundação Certi, o laboratório de inovação aberta une a recuperação e a conservação das florestas, à produção sustentável e ao aumento de renda de produtores – especialmente para agricultores familiares e extrativistas – a partir do desenvolvimento de negócios e inovação na área.

Uma das metas mais ambiciosas com as quais o Brasil se comprometeu no Acordo de Paris para a ação climática global é a restauração de 12 milhões de hectares de floresta, mas os meios para cumprir isso ainda são incertos. Nesse contexto, o laboratório é comprometido com a conservação das florestas, da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos, a partir de três focos, segundo o diretor da Conexsus, Valmir Ortega. “Buscamos unir tecnologia florestal, novos modelos de investimento e arranjos sociais com organizações locais. A grande vantagem de um laboratório é que temos como objetivo principal testar e inovar. Junto a uma rede de parceiros diversos, vamos tentar reduzir os riscos, aproveitar o conhecimento já disponível e alertar sobre os problemas e dificuldades já conhecidos”, explica o diretor.

Valmir Ortega, diretor executivo da Conexsus, apresenta o conceito do laboratório.

Com inovação, realização de modelagens financeiras e compilação de referências técnicas e práticas de governança, o laboratório busca ampliar a visão de produtores e investidores sobre o potencial econômico dos SAFs, como detalha a diretora de operações do Fundo Vale, Patricia Daros. “Por serem testados em locais completamente diferentes do país, os labs têm um potencial incrível de trazer soluções adequadas a cada realidade. Testando e encontrando as melhores técnicas, modelos de negócios e investimentos, adequadas às diferentes fases de maturidade dos empreendimentos, em rede, poderemos dar uma contribuição imensa para esta agenda de diversidade brasileira”.

Para o sócio da Kaeté Investimentos, Luis Fernando Laranja, o lançamento do laboratório é muito oportuno, tanto pelo tema, como circunstancialmente, pelas metas de restauração de florestas que o Brasil assumiu. “Uma iniciativa como essa, que congrega um amplo conjunto de atores e vai ao encontro do desejo de empreendedores, financiadores, ONGs e governo em desenvolver arranjos baseados em SAFs, produtivos e economicamente viáveis, pode contribuir muito. Ordenar esse assunto, a partir do compartilhamento de experiências e estudos é fundamental”.

Enquanto gestora de fundos de investimentos, a Kaeté tem interesse especial no desenvolvimento de instrumentos financeiros inovadores nesse contexto. “Em geral, os sistemas agroflorestais exigem um tipo de capital mais ‘paciente’ dentre todas as atividades produtivas agropecuárias, porque têm um tempo de maturação maior, e por isso são necessários arranjos diferenciados”, observa.

Oficina também foi realizada com parceiros e representantes dos módulos.

Para o diretor da Fundação CERTI, Marcos Da Ré, a modelagem de negócios, as técnicas, as abordagens inovadoras no nível da gestão das áreas e das cadeias como um todo, o capital e mercados diversificados têm um papel importante para alcançar uma abordagem de inovação sistêmica. “Nos interessa contribuir, aprender e compartilhar entre todas essas diferentes perspectivas, para chegar a uma percepção do potencial da inovação de mudar realidades frente ao desafio da recuperação das florestas e também como alternativa de manutenção das comunidades no campo, com maior geração e distribuição de valor, associando o social e o econômico à conservação ambiental”.

Experiências

Oito núcleos demonstrativos, localizados em diferentes regiões brasileiras, compõem o laboratório e uma rede de cooperação técnica que compartilhará experiências e aprendizados, em busca de acelerar o desenvolvimento de novos negócios com esse perfil. Independentes e em variados estágios de desenvolvimento, cada um dos projetos reúne parceiros, tecnologias e perfis produtivos, que envolvem desde o plantio de espécies nativas à produção agrosilvopastoril, pecuária sustentável, piscicultura, produção de madeiras, fibras e tinturas para tecidos e para artesanato, entre outras. Três deles estão localizados na Amazônia. As estações ficam nos estados do Acre, Pará, Mato Grosso, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e Piauí.

O escritório de design, arquitetura e inovação Rosenbaum, junto ao Instituto A Gente Transforma, atuam no projeto demonstrativo do Piauí. A ação com artesãos locais começou em 2012, com a proposta de valorizar e reconhecer no mercado o saber gerado ancestralmente pela comunidade de Várzea Queimada. À frente do projeto, o designer Marcelo Rosenbaum conta que a comunidade manifestou interesse em instalar SAFs, foi promovido um curso sobre o tema e, agora, veio a participação no laboratório, com a implantação de SAFs para cultivo de Carnaúba, de alimentos para a comunidade e outros produtos que possam gerar inovação e ter mercado.

“É uma honra fazer parte dessa rede de pessoas que estão olhando para o mesmo caminho em questões ambientais, sociais e de movimentação desse mercado, a partir do SAF como laboratório de práticas e um espaço enorme de aceleração. Fora dele, sem esse encontro de diversos atores, demoraríamos muito mais tempo para evoluir”, comenta Rosenbaum.

Outro módulo demonstrativo conta com a participação do Projeto RECA, em Rondônia, que acumula experiências com SAFs há 30 anos entre seus cooperados e vê no laboratório uma maneira de repensar alguns pontos sobre seu trabalho. “Precisamos desenvolver modelos de arranjo que sejam mais atrativos para os agricultores que ainda não aplicam os SAFs. Mostrar as vantagens, valorizá-los e mostrar como isso impacta na preservação da floresta”, explica Fábio Failatti, coordenador técnico do RECA.

Vista de um dos módulos de SAF, do Projeto RECA.

Sobre o Lab SAF – Laboratório de Negócios Agroflorestais

Co-construir alternativas de negócios que envolvem sistemas agroflorestais (SAFs) junto a uma rede de organizações sociais, instituições de pesquisa e inovação, empresas e empreendedores sociais, em um laboratório de inovação aberta, é o objetivo do Lab SAF. Focado no intercâmbio e no desenvolvimento tecnológico entre núcleos-demonstrativos, para ativar um ambiente de cooperação técnica e compartilhar aprendizados, o laboratório tem três eixos centrais para acelerar o processo de restauração florestal no Brasil: a tecnologia florestal, modelos de investimento e negócios sociais.
Mais informações: www.conexsus.org/labsaf

Confira imagens do lançamento e da oficina na galeria abaixo.

Fotos: Maurício Checchia

Galeria de fotos

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