Negócios pela Terra e Conexsus lançam programa Trilhas para Exportação

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A iniciativa visa destravar os caminhos para a exportação de produtos da sociobiodiversidade brasileira de pequenos e médios negócios de base comunitária

No cenário global, os produtos da sociobiodiversidade brasileira conquistam cada vez mais mercados consumidores, mas ainda representam parcela muito pequena em um mercado gigante, principalmente se comparamos a participação de alguns países vizinhos.

Foi pensando nesse potencial, e buscando ativar a rede de negócios comunitários para expandir as oportunidades de suas cadeias de valor junto aos mercados internacionais, que o movimento Negócios pela Terra e a Conexsus lançaram na última semana, com um seminário virtual de dois dias, o programa Trilhas para Exportação.

Entre 08 e 10 de setembro, associações e cooperativas de todo o Brasil tiveram a oportunidade de conhecer de perto a experiência de negócios comunitários que já estão exportando e conversar sobre oportunidades com compradores e especialistas do mercado ético internacional.

O objetivo do programa é “destravar os caminhos para a exportação de produtos da sociobiodiversidade brasileira de pequenos e médios negócios de base comunitária, de diferentes níveis de maturidade e de diversas cadeias”, como explica Gabriel Leão, integrante da equipe de negócios sustentáveis da Conexsus e um dos coordenadores da iniciativa.

“Existem hoje milhares de associações, cooperativas e pequenos negócios que atuam de maneira sustentável nos biomas brasileiros, gerando receita, trabalho e renda”, afirma Leão. “A sobrevivência e continuidade desses negócios comunitários – assim como do impacto positivo que representam – depende, em muitos casos, de estratégias de comercialização mais amplas e de conhecimento de mercado, e é isso o que queremos ajudar a viabilizar com o programa”, defende.

A importância da inciativa é confirmada por Dionete Figueiredo, da COPABASE (Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base em Economia Solidária), uma das convidadas do painel de organizações exportadoras, para quem o acesso a mercados internacionais é uma estratégia de grande relevância para os empreendimentos coletivos. “Foi crucial para a COPABASE exportar, principalmente em um momento como o da pandemia, que trouxe diversos entraves para todos nós, e continuará sendo relevante depois dela”, afirma.

Para Ana Asti, da Organização Mundial do Comércio Justo, convidada do painel de compradores e especialistas do mercado ético, o mercado internacional está cada vez mais especializado. Produtos com diferencial, como os da sociobiodiversidade, têm uma vantagem competitiva muito grande para acessar esses mercados, mas, na prática, ainda não é tão simples assim.

“A venda desses produtos para mercados internacionais exige um conhecimento específico e relação com compradores especializados”, afirma. “Iniciativas como o programa [Trilhas para Exportação] são um ganho muito importante para esse processo, pois geram um diferencial e valor percebido tanto para o produtor quanto para o comprador” afirma.

Na ocasião, foi apresentada ainda, em primeira mão, aos participantes, a chamada de capacitação de organizações que será lançada pelo programa na próxima quarta-feira (15). Ao todo, 40 organizações terão a chance de passar por mais de 28 horas de qualificação, acessar parceiros e prestadores de serviço de apoio, além de ganharem visibilidade e promoção junto a redes de comércio justo e compradores internacionais.

O Trilhas para Exportação é uma iniciativa do movimento Negócios pela Terra e da Conexsus, com o apoio dos programas financiados pelo UK in Brazil, Partnerships for Forests e Programa de Facilitação de Comércio Brasil – Reino Unido, implementados pela Palladium: Make It Possible.

O Programa de Facilitação de Comércio Brasil – Reino Unido é realizado em parceria com Ministério da Economia, Apex-Brasil, CNI – Confederação Nacional da Indústria, Sistema CNA Senar e Sebrae.

O programa Trilhas para Exportação conta também com a parceria da Associação Floresta Protegida, Bio Fair Trade, Central do Cerrado, COOPAVAM, Empório do Cerrado, Mulheres no Comex, Observatório Castanha-da-Amazônia, Origens Brasil, UNICAFES e WWF. O evento contou ainda com o apoio do Instituto Humanize.

Não conseguiu participar? Confira os registros gráficos que foram produzidos durante os dois dias de seminário. Para acessar, basta clicar aqui.