
Ao completar 30 anos, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) se consolida como uma das mais importantes políticas públicas de inclusão produtiva do país. Ao longo de três décadas, foi responsável por estruturar o financiamento da agricultura familiar, ampliar o acesso ao crédito e contribuir para a segurança alimentar brasileira. No entanto, esse marco histórico também impõe uma reflexão: o Pronaf precisa evoluir para responder aos desafios e oportunidades do século XXI.
Hoje, o Brasil reúne condições únicas para liderar a transição para uma economia de baixo carbono baseada na biodiversidade. Essa oportunidade já está sendo construída nos territórios, por meio da sociobioeconomia – uma dinâmica produtiva liderada por povos indígenas, comunidades tradicionais, pescadores artesanais e agricultores familiares, que alia geração de renda, conservação ambiental e resiliência climática. Ainda assim, essa economia segue amplamente excluída do principal instrumento de financiamento da agricultura familiar.
A sociobioeconomia é uma das mais promissoras soluções climáticas disponíveis, baseada em sistemas como agroflorestas, extrativismo sustentável, manejo de mínimo impacto e pesca artesanal. São atividades lideradas localmente, que mantêm a floresta em pé, recuperam áreas degradadas e fortalecem economias regionais. No entanto, o desenho atual do crédito rural ainda não dialoga com essa realidade.